O dinheiro fala… mas nós falamos dele? Pesquisa de 2020

O dinheiro fala… mas nós falamos dele? Pesquisa de 2020

Alegrias, vergonhas, frustrações. Nada pode causar tantas emoções quanto o dinheiro. Perguntamos para 1000 pessoas o quanto elas estão dispostas a compartilhar sobre suas finanças.

o dinheiro fala

 

Isso deve ter custado uma fortuna, como você pagou?

 

Só de curiosidade… quanto você ganha?

 

É chato responder esse tipo de coisa, né?

 

Dinheiro é considerado um tabu em quase todo lugar. Há estudos em que quase 60% dos participantes preferiria revelar seu peso exato do que quanto dinheiro tem na poupança.

 

E se quem quiser falar de finanças for sua família? E sua esposa ou esposo? Melhor amigo? É possível ter uma conversa honesta e relaxada sobre dinheiro?

 

Isso é o que fomos descobrir.


Fizemos perguntas difíceis de responder para mais de 1000 participantes — eles mentem sobre seu salário? Sentem-se confortáveis falando sobre dívidas? E quanto a hipotecas? Leia para ver o que descobrimos.

 

Amigos, amigos, negócios à parte

 

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Lembra-se de quando você era criança e perguntou pros seus pais quanto eles ganhavam? Eles responderam de maneira simples ou disseram que isso não se perguntava?

 

Poucos se sentem confortáveis discutindo assuntos financeiros, até mesmo com parentes próximos. Apenas 50% dos participantes disse não se importar em compartilhar seu salário exato com seus familiares. É ainda mais difícil falar de dívidas — 43% se sentiria desconfortável revelando para suas famílias quanto eles devem.

 

É ainda mais difícil falar sobre problemas financeiros com os amigos:

 

  • Apenas 28% dos participantes se sentiria confortável falando sobre suas dívidas com seus amigos. 
  • Gerações mais jovens são mais abertas a compartilhar seus problemas financeiros com seus amigos: 37% dos respondentes da geração Z e millennials não vê nada errado em falar sobre dívida com os amigos, enquanto apenas 17% dos da geração X e baby boomers concorda.

 

E quanto a revelar hipotecas? Aparentemente, é mais aceitável:

 

  • 45% dos participantes julga não ter problemas em revelar o valor de suas hipotecas em conversas com os amigos (incluindo 52% da geração Z e millennials, e 37% da geração X e baby boomers).
  • Para quem não tem casa própria, falar de aluguel é mais fácil: 57% dos respondentes não se importa em revelar para os amigos quanto paga de aluguel.

 

Diga-me com quem andas, e eu te direi quanto ganha:

 

  • 42% dos participantes disse que não gostaria de ter amizades com pessoas que ganham significativamente menos dinheiro do que eles. Apenas 26% respondeu que não seria um problema ter amigos que ganham menos.
  • Em contrapartida, só 19% se sentiria desconfortável em amizades com pessoas muito mais ricas do que eles.

 

Não quero dinheiro, eu só quero amar

 

Somos muito mais capazes de ter uma discussão financeira com nossos parceiros de vida do que com nossos familiares:

 

  • 82% dos que responderam (incluindo 89% dos que são casados) se sentiria confortável revelando seus salários exatos para seus parceiros.
  • 78% não se importaria em falar sobre suas dívidas.

 

Interessantemente, essas porcentagens são muito mais baixas quando seu “parceiro de vida” pertence a um cenário hipotético, não a sua realidade:

 

Falando de dinheiro entre solteiros:

 

  • 68% revelaria quanto ganha aos seus parceiros futuros.
  • 61% diz que revelaria o valor de suas dívidas.

 

Similarmente, apenas 19% dos que estão em um relacionamento, comparado com 29% dos solteiros, diz que pedirá para fazer um acordo pré-nupcial (homens têm 13% mais chances de fazê-lo).

 

Por que a diferença? Bom, há duas possíveis explicações:

Ou nós pensamos que valorizamos nossa privacidade financeira antes de entrar em um relacionamento sério, mas, assim que entramos, percebemos que é quase impossível sermos desonestos em relação ao dinheiro. Ou então, quem têm menos chances de se abrir em relação às suas finanças por natureza, também têm menos chances de encontrar alguém para um relacionamento de longo prazo.

 

E em um hipotético encontro amoroso? O quão terrível seria falar sobre seu salário?

 

No fim das contas, falar sobre seu salário (33%) é apenas um pouco mais fácil do que falar sobre parceiros sexuais anteriores (30%). Para a maioria (37%) ambos os assuntos são igualmente vergonhosos.

 

Dinheiro sujo, truques sujos

 

Você conhece aquela piada antiga?

 

Sempre pegue dinheiro emprestado de um pessimista. Eles não esperam receber de volta.

 

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Cerca de um terço dos participantes disse já ter mentido para seus parentes em relação a seus salários. Interessantemente, há uma grande diferença neste ponto entre as gerações:

  • 37% dos millennials diz ter, ao menos uma vez, mentido para suas famílias sobre seus salários.
  • Apenas 13% dos baby boomers já mentiu sobre isso para seus familiares.

 

Quando se trata de pedir dinheiro emprestado e nunca devolver… Bom, os dados são claramente contraditórios. 70% dos entrevistados disse nunca ter deixado de pagar um empréstimo, entretanto, 72% disse que, ao menos uma vez, emprestou dinheiro e nunca recebeu de volta.

Pois é, só pode ser o famoso viés cognitivo! (Superioridade ilusória, para ser mais preciso, como aquele paradoxo do auto-julgamento de habilidades na direção: uma vasta maioria de motoristas acreditam que suas habilidades no volante são acima da média, o que simplesmente não é possível).

 

Políticas de pagamento

 

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Conclusão: 41% dos participantes gostaria de saber exatamente quanto seus colegas ganham, porém, somente 22% se sentiria confortável revelando tal informação sobre si mesmo.

Existe um “acordo não falado”, no Brasil, em que a maioria das pessoas concorda que não devem perguntar o salário dos colegas. Mas a quem isso beneficia? Ter uma conversa aberta sobre dinheiro não ajudaria a tornar os pagamentos mais justos? Não motivaria os empregados?

 

Devido à prática de salários transparentes ser tão rara em empresas, não só no Brasil, não existem estudos compreensivos em como isso impacta empregados. Um estudo interessante, no entanto, sugere que em companhias nas quais os valores de salários são conhecidos por todos, novos empregados têm muito mais claro para quais colegas devem pedir assistência em tarefas quando necessário. 

 

Como um website de carreira, nós estamos muito interessados na sua opinião sobre dinheiro na sua vida laboral:

  • Você se sentiria confortável compartilhando informações sobre seu salário com seus colegas de trabalho?
  • Você gostaria de saber exatamente quanto seus colegas ganham?

 

Deixe-nos saber nos comentários!

 

Metodologia e limitações

 

Para este estudo, coletamos respostas de 1.011 participantes via Mechanical Turk da Amazon. Participantes consistiram em 56% mulheres e 44% homens. 9% dos respondentes tinha 24 anos ou menos, 45% estava na faixa etária de 25–38, 29% na de 39–58, e 17% tinha 59 anos ou mais. Devido à diversidade de gênero e idade no estudo, os resultados podem ser generalizados para a população inteira.

 

Este estudo investigou hábitos relacionados ao ato de falar sobre finanças pessoais. Participantes responderam 20 perguntas, com respostas em escalas de quanto eles concordavam com declarações relacionadas com dinheiro e políticas financeiras.

 

Devido ao fato de que experiências são subjetivas, entendemos que alguns participantes e suas respostas possam ser afetados por caráter recente, viés de atribuição, auto-seleção e outros fatores.

 

Algumas perguntas e respostas foram reformuladas ou condensadas para clarificar e facilitar o entendimento dos leitores. Em alguns casos, as porcentagens apresentadas podem não somar 100%; dependendo do caso, isso é devido ao arredondamento ou às respostas “nenhum/incerto/desconhecido” não serem apresentadas.

 

Declaração de uso justo

 

Sinta-se livre para compartilhar nosso estudo! Os gráficos e conteúdo aqui encontrados estão disponíveis para reuso não-comercial. Apenas se certifique de incluir um link para esta página para dar os devidos créditos aos autores.

 

Fontes

 

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Bruno Bertachini
Bruno é um especialista em carreira da Zety comprometido em oferecer conselhos ocupacionais que agreguem valor a profissionais em todas as etapas de suas jornadas.

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